Quando as pessoas tentam calcular a fortuna de Neymar, normalmente olham para os seus “brinquedos”. O jato particular, estimado em mais de R$ 280 milhões, seu helicóptero que novo supera R$ 50 milhões. A coleção de carros inclui Ferrari, Lamborghini, Bentley, Rolls-Royce e outros modelos de luxo. As mansões em Mangaratiba, Santos, São Paulo e no exterior. Relógios milionários, joias, helicópteros e uma estrutura de vida que, sozinha, supera mais de R$ 500 milhões em patrimônio imobilizado.
Mas quem conhece a história da família sabe que a riqueza de Neymar não nasceu do consumo, nasceu da disciplina financeira e não foi a dele.
O pai do jogador, Neymar da Silva Santos, sempre repetiu uma lógica simples e poderosa: a regra do 0,5%. A conta era direta.
Se uma pessoa deseja viver com R$ 100 mil por mês sem precisar trabalhar, precisa construir um patrimônio próximo de R$ 20 milhões, considerando uma retirada mensal de meio por cento sem comprometer o principal.
Essa mentalidade foi aplicada desde os primeiros contratos do atleta. O resultado é que Neymar chegou aos 34 anos com uma fortuna estimada por diferentes levantamentos internacionais em mais de US$ 1 bilhão, algo acima de R$ 5 bilhões na cotação atual.
O que mais chama atenção, porém, não é o tamanho da fortuna, mas a forma como ela foi construída.
Ao contrário de muitos atletas que concentram riqueza em imóveis e aplicações conservadoras, Neymar transformou sua imagem em uma plataforma de investimentos.
A NR Sports, criada pelos seus pais quando ele tinha apenas 14 anos, deixou de ser uma empresa de gestão de imagem para se tornar uma holding de negócios. A estrutura controla licenciamentos, participações societárias, projetos imobiliários e aquisição de ativos de propriedade intelectual.
Nos últimos anos, a família entrou como sócia em empreendimentos imobiliários bilionários no Nordeste, em parceria com a DUE Incorporadora, em um projeto com Valor Geral de Vendas estimado em R$ 7,5 bilhões.
Também participou de investimentos em infraestrutura hoteleira, licenciamentos internacionais, tecnologia e no universo dos games, incluindo participação na organização de e-Sports FURIA, do André Akkari.
Em vez de apenas receber cachês publicitários, Neymar passou a trocar influência por participação acionária, um movimento típico de empresários e investidores de longo prazo. É a diferença entre ganhar dinheiro e construir patrimônio.
Talvez o investimento mais revelador da estratégia da família tenha ocorrido recentemente, quando a NR Sports adquiriu os direitos globais da marca Pelé. Não se trata apenas de comprar um nome famoso.
Trata-se de adquirir uma propriedade intelectual capaz de gerar receitas por décadas por meio de licenciamento, produtos, conteúdo, educação e acordos comerciais. É exatamente assim que grandes fortunas sobrevivem às gerações.
O investidor comum costuma procurar a próxima ação que pode dobrar de valor. Os muito ricos procuram ativos que continuem produzindo renda quando eles já não estiverem trabalhando. O grande segredo do patrimônio de Neymar talvez não esteja nos carros, nos relógios ou no jato.
Está no fato de que seu pai entendeu algo que a maioria dos brasileiros ignora até hoje: riqueza não é quanto você ganha, riqueza é quanto do seu patrimônio consegue continuar gerando dinheiro enquanto você dorme. E, olhando para a trajetória da família, fica evidente que Neymar foi preparado para ser muito mais do que um craque. Sua imagem foi preparada para ser dona de ativos.
Fonte: Estadão / Fabrizio Gueratto / Foto: WERTHER SANTANA/ESTADÃO







