Em meio à tentativa de se eleger ao Senado por Santa Catarina, o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL-RJ) abriu uma nova frente de crise na campanha do irmão, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao expor rachas na troca de marqueteiros ao compartilhar um vídeo que critica a estratégia de excluir “tias do zap e tios do churrasco” e focar na reconstrução de pontes com o sistema financeiro e centrão.
“Acho que o time de campanha do meu irmão Flávio Bolsonaro deveria assistir esse vídeo aqui, principalmente do meio para o fim. De boas, sem críticas, sem desconstruções. Acho que só vem pro bem e depois, façam suas medições e continuem a batalha com objetivo que certamente será alcançado de forma mais leve e indo ao encontro de quem realmente interessa: as tias do zap e os tios do churrasco”, escreveu o “02” de Jair Bolsonaro.
Protagonizado pelo influenciador Kim Paim, que chegou a ser investigado pela Polícia Federal como “vetor de propagação” da Abin Paralela – estrutura comandada por Alexandre Ramagem (PL-RJ), íntimo de Carlos Bolsonaro -, o vídeo diz “há dois grupos bem claros dentro da campanha” após a revelação do elo com Daniel Vorcaro, do Banco Master. “Um trabalhando para o Flávio vencer e outro para ser dono de tudo”.
Marcello Lopes, o Marcelão, que tinha uma linha mais agressiva, foi substituído por Eduardo Fischer e Alexandre Oltramari, que desencadearam uma estratégia mais moderada, que afasta a “militância”, exatamente “as tias do Zap e os tios do churrasco”, usados à exaustão pelo chamado “Gabinete do Ódio”, capitaneado por Carlos durante o governo do pai, Jair Bolsonaro (PL).
Segundo Paim, a atuação dos novos marqueteiros “abriu uma disputa sobre quem controla a reconstrução política da candidatura” para afastar Flávio de “aliados tóxicos e radicais que só criam problemas”.
“A candidatura entrou em modo de contenção, não de solução”, ataca Paim, ressaltando que “a disputa interna virou o novo problema central”.
Para ele, “a desorganização interna se tornou um fator adicional de instabilidade”. Mais do que a pressão externa — da imprensa, de adversários ou de investigações —, o principal risco passa a ser a incapacidade de coordenação interna.
Revista Fórum / Plinio Teodoro







