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Vinhos do Cerrado: Dez famílias do DF se unem para criar polo de enoturismo

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Vinhos do Cerrado: Dez famílias do DF se unem para criar polo de enoturismo


Da uva à taça, produção de vinho em Brasília é marcada pelo cuidado com os vinhedos que enfrentam o clima tropical sazonal do Cerrado. Vinícola de porte médio será inaugurada no dia 21 de abril, aniversário da capital do país 🍷. Dez famílias lançam vinícola de médio porte que vai produzir 400 mil litros de vinho por ano no DF.
Divulgação/Vinícola Brasília
O amor pela produção de vinho e pela ancestralidade é manifestado desde o cultivo da uva até a taça da bebida produzida por 10 famílias do Distrito Federal. Os produtores de vinho de Brasília desafiam o clima tropical sazonal da região – composto por invernos secos e verões chuvosos – para gerar bebidas “autenticamente brasilienses e de alta qualidade”.
“Cada região tem a sua peculiaridade, mas aqui no DF são vinhos elegantes, fáceis de beber, bem aromáticos e com grande potencial de guarda [de envelhecimento em garrafa]”, diz Ronaldo Triacca, produtor de vinho de Brasília.
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No próximo domingo (21), aniversário de Brasília, as 10 famílias lançam uma vinícola de médio porte que vai produzir 400 mil litros de vinho por ano. Vinhos do Cerrado brasileiro (saiba mais abaixo).
Ronaldo Triacca, de 58 anos, um dos produtores, se diz um “apreciador e estudioso” do vinho há mais de 20 anos. Ele explica que a produção no Distrito Federal foi iniciada em 2020, quando a tecnologia da dupla poda foi implantada para a criação de vinhos de inverno no DF🍷.
“É a inversão do ciclo da videira, deixa a planta produzir no inverno e não no verão. Cuidamos da videira o ano inteiro, quase seis meses cada ciclo. No primeiro ciclo, a gente não deixa a planta produzir, ela só vegeta e a gente tira os cachos. O ciclo de produção é no inverno, por isso essa nova categoria é chamada de vinhos de inverno”, diz.
A uva, que é plantada apenas uma vez – já que produz frutos por cerca de 30 a 40 anos, no mínimo – conta com duas podas: uma em setembro e outra em março. Em julho e agosto há a colheita da fruta (veja o ciclo completo abaixo).
A dupla poda é a alteração do ciclo reprodutivo das vinhas, com a colheita ocorrendo no inverno e não no verão.
Em setembro: vinhedos são podados
Em outubro: a planta vegeta e emite os cachos, que são retirados para não dar frutos
Em março: vinhedos são podados novamente
Em abril: planta emite cachos até agosto
Em julho e agosto: uvas formadas são colhidas
O custo, por conter essas duas podas, tem aumento de 40% a 50% se comparado a uma produção de uma única poda. No entanto, de acordo com Ronaldo Triacca, o clima do DF, que é muito seco, favorece a menor incidência de doenças e pragas e uma menor utilização de defensivos químicos.
Produção de vinhos da Villa Triacca.
Divulgação/Vinícola Brasília
A Villa Triacca, com seis hectares de vinhedos, produz por ano de 10 a 12 mil garrafas de vinho. Além disso, cerca de 600 pessoas visitam a pousada por mês.
A safra de 2022 do vinho tinto Seu Claudino, em homenagem ao pai de Ronaldo. Este é o primeiro vinho 100% brasiliense, e foi premiado como melhor vinho tinto brasileiro pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
A força das mulheres da viticultura
Com as raízes fincadas no Distrito Federal, a produtora de vinhos Oma Sena, nasceu para representar a força das mulheres da família de descendentes de imigrantes italianos, alemães e portugueses. Oma significa avó em alemão e Sena era o apelido carinhoso da avó paterna da agrônoma Isabella Bonato, que se chamava Azenia.
“A ideia de homenagear a minha avó é homenagear as mulheres fortes da minha família. […] Quem veio antes da gente, constrói a nossa história, molda o que a gente é e o que a gente vai ser, é muito importante lembrar dessa pessoas”, diz Isabella Bonato.
O resgate da ancestralidade se uniu ao cuidado diário de cada vinhedo dos três hectares de produção da Oma Sena, que entrega 5 mil litros por ano para o mercado de vinho. Isabella Bonatto, de 33 anos, conta que é uma atividade prazerosa.
“É muito gostoso, a viticultura é uma atividade que apesar de ser muito trabalhosa, ela é um crochê, de ponto em ponto de linha em linha para formar o vinhedo inteiro. As cores que a gente enxerga são tão lindas, o processo é maravilhoso, os cheiros são incríveis, beber vinho, analisar vinho””, diz a produtora.
Isabella é agrônoma e explica que, durante a faculdade na Universidade de Brasília (UnB), nunca cogitou produzir vinho no clima do DF. No entanto, após a implantação da dupla poda, se vê todo dia vivendo o sonho que sempre fez parte do seu imaginário.
“Até agora parece fora da realidade, a sensação de ‘meu Deus que loucura produzir vinho no cerrado’. Acordo todo dia de manhã e sentir que eu estou fazendo parte dessa história é emocionante é só o comecinho”, diz Isabella Bonato.
Além do cuidado com cada “criatura” como carinhosamente chama os vinhedos, Isabella destaca que o vinho é também uma bebida viva, e que um dos momentos que aprecia no trabalho é ver a mudança da uva até o produto final engarrafado. “E mesmo depois, o vinho não é estático, vai evoluindo até o seu ápice”, explica.
Isabella conta orgulhosa que o vinho tinto Vernáculo, produzido na Oma Sena, ganhou o melhor vinho sem barrica na Wine Piri em 2023.
‘Amadurecendo com o passar dos anos’
Produção de uva e vinho no DF.
Como um bom vinho, o cultivo das videiras para o casal Sérgio Lima e Sandra Cenci, da Horus Vinhos e Vinhedo, foi amadurecendo ao longo do tempo. O processo inicial de plantio, manejo, adubação e cultivo dos vinhedos demorou cerca de 1 ano e meio.
“O início foi extremamente trabalhoso, pois antes mesmo do plantio da videira, havia um esforço de manejo e adubação da terra e infraestrutura do parreiral como madeira, arames e mão de obra. Ainda assim, é muito gratificante ver nascer um legado que irá amadurecer com o passar dos anos”, conta Sérgio Lima.
Com 6,5 hectares, e no terceiro ano de produção com foco na qualidade, a Horus conta com as uvas Malbec, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Syrah e Sauvignon Blanc. Sérgio e os outros dois produtores entrevistados pelo g1 explicam as principais vantagens do cultivo da uva no cerrado:
Vantagens da produção no cerrado
Clima bem definido com duas estações marcadas: invernos secos e verões chuvosos
Boa diferença de amplitude térmica – distância da temperatura máxima até a mínima
Altitude de 1.172 metros propicia grandes amplitudes térmicas
Inverno não chove e favorece a videira, que não tolera excesso de umidade, principalmente no período da maturação
Vinícola Brasília
A abertura oficial da Vinícola Brasília vai ser no dia 21 de abril, aniversário de Brasília.
Divulgação/Vinícola Brasília
Com o objetivo de transformar o Distrito Federal em um polo de enoturismo, os três produtores entrevistados se uniram a outros sete e vão lançar, no dia 21 de abril, aniversário da capital, a Vinícola Brasília.
O projeto pretende utilizar 60% da produção de uva de cada um dos sócios para produzir 400 mil litros por ano de vinhos. Os vinhedos participantes são:
Casa Vitor
Ercoara
Horus
Marchese
Miro
Monte Alvor
Oma Sena
Alto Cerrado
Villa Triacca
Vista da Mata
O lançamento traz cinco rótulos, além do Vinho Monumental Syrah, lançado em 2023:
Rosé Pilottis: blend das uvas Syrah e Tempranillo com aroma delicado de cereja, ameixa e maçã
Sauvignon Blanc Cobogó: vinho intenso e aromático com pêra, melão, goiaba, figo e notas de arruda e broto de tomate
Malbec Syrah Croqui: vinho tinto encorpado que harmoniza bem com carnes vermelha, suína, massas e queijos fortes
Malbec Alvorada: vinho tinto encorpado amadurecido 18 meses em barricas de carvalho, com grande potencial de guarda
Syrah Alvorada: vinho tinto encorpado e amadurecido 12 meses em barricas de carvalho e fácil de harmonizar com uma grande diversidade de pratos, em especial carnes, aves e queijos fortes e maturados
Programe-se
Abertura oficial da Vinícola Brasília
Data: domingo, 21 de abril
Horário: 16h
Ingressos: a partir de R$ 390
Mais informações: @vinicolabrasilia
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Fonte: G1

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