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Sexta, 09 Março 2018 18:17

Tremores expõem riscos do trabalho da Braskem em Maceió

Escrito por Redaação com Arapiraca News
Tremores expõem riscos do trabalho da Braskem em Maceió Milton Pradines. Gerente de Marketing da Braskem, foi alvo da Operação Satélites, deflagrada em Maceió Foto: Divulgação

O tremores de terra ocorrido na capital alagoana no último final de semana repercutiram nas redes sociais e ressuscitaram uma discussão entre profissionais em química e física do Estado. Por meio das redes sociais informaram que um acomodamento perigoso de camadas das terras de superfície ocasionado por retirada da salgema, está ocasionando essas falhas no solo.

Pesquisando sobre o assunto, o Jornal de Arapiraca encontrou um estudo do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP) de 1995, que assim como o alerta feito na década de 1980, já alertava para os riscos naturais da extração petroquímica na capital.

Com o título “Avaliação de Risco de Longo prazo, em caso de contaminação de águas subterrâneas como instrumento de gerenciamento da remediação”, traz pontos contaminados naquela época devido a extração das industrias, como a SALGEMA, hoje Braskem.

“Nessas unidades, de forma geral, são fontes potenciais de contaminação onde ser armazenam águas de drenagem contaminadas, áreas de tanques, canalizações enterradas e vazamentos em bombas. Durante inspeção ao local em 1990, verificou-se que as condições gerais da planta da ALCLOR eram muito ruins, com vários pontos de corrosão muito sérios”, traz um dos trechos.

Esses estudos fizeram com que professores voltassem a questionar a ação executada pela Braskem ao longo de décadas, e que teria provocado grandes ocos nas camadas profundas, resultando em desabamentos no subsolo.

Um desses profissionais afirma que, em 1985, o professor e cientista Rogério Pinheiro, ex-reitor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), disse em sala de aula que essa retirada contínua de salgema acabaria causando um grande terremoto em Maceió, no prazo de trinta anos.

De acordo com o Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis/UFRN), que emitiu uma nota no domingo, informando que a estação de monitoramento de Caruaru (PE) registrou que o tremor sentido às 14h30 (hora local) em Maceió teve magnitude preliminar estimada em 2,5 pontos na escala Richter.

Histórico de acidentes no passado

Em Maio de 2011, um vazamento de cloro na região do Pontal da Barra, em Maceió, levou cerca de 130 pessoas ao hospital, entre elas 22 crianças. O vazamento começou às 19h38 e foi controlado às 20h15, segundo a empresa na época.

As vítimas apresentaram sintomas de intoxicação, como falta de ar, desmaios e vômitos após sentir cheiro de cloro. Todas elas moram perto da fábrica; 30 ficaram internadas. As crianças, com idades entre 1 e 15 anos, foram para uma clínica.

Dois dias depois, um segundo acidente ocorreu na madrugada do dia 23, quando uma tubulação rompeu e atingiu cinco prestadores de serviço da Braskem, que se preparavam para instalar andaimes na petroquímica.

A empresa foi multada em R$ 583.333,28 pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA) na época.

Deputados na Assembleia Legislativa chegaram a cobrar explicações. “Maceió está atrasado 40 anos naquela região. Toda bodega que abre ali, fecha. Nada ali tem valor comercial. Aquela bomba atômica só prejudica o desenvolvimento da capital”, disse, voltando a pedir a transferência da indústria para o Polo Cloroquímico, em São Miguel dos Campos”, afirmou o deputado Dudu Hollanda.

Empresa nega responsabilidade

A Braskem emitiu nota informando que “realizou uma vistoria em suas instalações e não constatou nenhuma ocorrência ou anormalidade em suas operações” e que a “extração do sal é uma técnica utilizada em todo mundo, com comprovada segurança”.

Leia na íntegra:

A Braskem, diante dos fatos ocorridos em Maceió, no sábado, dia 3, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos.

Como atestam institutos especializados em sismologia, a Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e o Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo foram detectados abalos sísmicos nas cidades de Maceió e Satuba. Abalos sísmicos são eventos naturais provocados por falhas geológicas.

Tão logo tomou conhecimento dos fatos externos, a empresa procedeu uma vistoria em suas instalações e não constatou nenhuma ocorrência ou anormalidade em suas operações.

As instalações da Braskem e sua produção de salmoura estão localizados numa área restrita às margens da Lagoa Mundáu e de pouca densidade residencial. Esta operação é sistematicamente monitorada e fiscalizada. A extração do sal é uma técnica utilizada em todo mundo, com comprovada segurança.

A Braskem reafirma seu compromisso com as questões de saúde, segurança e meio ambiente e está à disposição dos órgãos fiscalizadores para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais que mostrem necessários.

Autoridades querem explicação sobre o assunto

O Ministério Público Estadual (MPE/AL), por meio da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, anunciou que vai instaurar um procedimento preparatório para apurar o assunto. O promotor Alberto Fonseca vai enviar ofícios para algumas instituições e especialistas com o objetivo de conseguir explicações sobre o que pode ter ocorrido na capital alagoana.

As notícias que se espalharam também chamaram a atenção da Câmara de Maceió que convocou uma audiência para a próxima segunda-feira (12), no Plenário da própria Câmara.

Segundo o vereador Silvio Camelo (PV), devem estar presentes à audiência pública engenheiros do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) e da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), além de técnicos das secretarias do Meio Ambiente do estado e do município de Maceió. Em pronunciamento na Casa, o parlamentar afirmou que é hora de união de todos os segmentos responsáveis para que se discuta o assunto e se ache, se estiver ao alcance das autoridades, uma solução para o problema.

“Não sabemos quais os reais motivos que deram causa aos tremores de terra em Maceió, no último sábado, quando inúmeras pessoas relataram o pânico que viveram dentro de suas casas e apartamentos.

Infelizmente, os tremores vieram logo em seguida às fortes chuvas que caíram na nossa capital naquele dia. Por isso, apresentei requerimento aprovado na Casa para que técnicos e autoridades no assunto possam vir aqui, já na próxima segunda-feira, para debatermos suas prováveis causas d e sabermos se há algo que pode ser feito”, declarou.

Braskem estampou noticiários com nome envolvido na Lava-Jato

A empresa petroquímica foi citada no ano passado em pelo menos cinco dos inquéritos abertos pelo relator da Lava-Jato, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin.

Supostos benefícios para a empresa envolveram pagamentos milionários por parte do grupo, sendo que uma parcela foi feita por meio do Setor de Operações Estruturadas.

Os inquéritos foram abertos a partir dos depoimentos dados por ex-executivos do grupo Odebrecht no âmbito de acordo de delação.

Na época, o diretor de Marketing e Relações Institucionais da Braskem em Alagoas, Milton Pradines, foi um dos alvos da Operação Satélites, deflagrada em Maceió. Na delação do ex-executivo da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, o jornalista Milton Pradines é apenas citado como a pessoa que agendou o encontro dele com Renan Filho para tratar de renovação dos contratos de fornecimento de energia para empresas eletrointensivas do Nordeste, para as plantas industriais.

Segundo o delator, na ocasião, um pedido de doação para campanha de Renan Filho, feito por Calheiros, foi entendido por Cláudio Melo Filho como contrapartida para a renovação dos contratos de energia para empresas eletrointensivas.

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